Casa livre de obstáculos


DANIELA MACEDO daniela.macedo@abril.com.br Artigo publicado na revista Veja de 24/04/2013.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de idosos na população brasileira vai triplicar até 2050, passando dos atuais 10% para 30%.

A má notícia é que boa parte das residências - como os apartamentos cada vez mais exíguos - não está preparada para atender às necessidades especiais de pessoas com limitações impostas por dificuldade de locomoção, labirintite e artrose. Para oferecer autonomia, conforto e segurança a todos os moradores, inclusive idosos e os cerca de 13 milhões de brasileiros com alguma deficiência motora, uma casa deve seguir os preceitos do que os arquitetos chamam de desenho universal. Dessa forma, nenhum aspecto estrutural da casa impedirá futuras adaptações. que variam de acordo com a necessidade do morador, como rampas de acesso e portas mais largas. "O desenho universal considera não só o cadeirante. mas prevê as adaptações para que a residência seja adequada a pessoas em todas as fases da vida, da criança ao idoso", explica a arquiteta Silvana Cambiaghi, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, de São Paulo. Com a ajuda de especialistas em adaptabilidade. VEJA destacou os principais itens a ser observados por quem compra ou reforma um imóvel.

NA ENTRADA

Desnível: é preciso pensar em todo o percurso. da calçada à porta da casa. Se houver degraus no trajeto, calcule se há espaço para substituí-los por rampa. A fórmula é simples: multiplique por 12 a altura total do desnível. Ou seja, um degrau de 10 centímetros vira uma rampa de 1,20 metro de comprimento. Outra solução é a instalação de uma plataforma vertical eletromecânica medindo 90 centímetros por 1,30 metro.

Elevador: de nada adianta o apartamento ter as medidas necessárias se o morador com necessidades especiais não puder chegar até ele pelo elevador. Seu interior deve comportar um retângulo de 80 centímetros por 1,20 metro (a dimensão de uma cadeira de rodas com uma pessoa sentada) e a porta precisa ter largura mínima de 80 centímetros.

Áreas comuns nos condomínios. O acesso às áreas comuns, como garagem e salão de festas, exige portas com largura de pelo menos 80 centímetros.

Portas e corredores: no interior da residência, as portas, devem ter largura mínima de 80 centímentros, e os corredores, de 90 centímetros. A manobra para transpor as portas que saem no meio de um corredor exige um espaço maior - corredor mais largo ou porta mais larga.

Espaços: cozinhas quadradas são mais amigáveis para cadeirantes, uma vez que o espaço deve permitir o giro da cadeira - 1,20 por 1,50 metro - ter 80 centímetros de passagem de uma cadeira de rodas para a pia, o fogão e a geladeira.