Casa livre de obstáculos

February 29, 2016

 

DANIELA MACEDO 
daniela.macedo@abril.com.br
Artigo publicado na revista Veja de 24/04/2013.

 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de idosos na população brasileira vai triplicar até 2050, passando dos atuais 10% para 30%.

A má notícia é que boa parte das residências - como os apartamentos cada vez mais exíguos - não está preparada para atender às necessidades especiais de pessoas com limitações impostas por dificuldade de locomoção, labirintite e artrose. Para oferecer autonomia, conforto e segurança a todos os moradores, inclusive idosos e os cerca de 13 milhões de brasileiros com alguma deficiência motora, uma casa deve seguir os preceitos do que os arquitetos chamam de desenho universal. Dessa forma, nenhum aspecto estrutural da casa impedirá futuras adaptações. que variam de acordo com a necessidade do morador, como rampas de acesso e portas mais largas. "O desenho universal considera não só o cadeirante. mas prevê as adaptações para que a residência seja adequada a pessoas em todas as fases da vida, da criança ao idoso", explica a arquiteta Silvana Cambiaghi, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, de São Paulo. Com a ajuda de especialistas em adaptabilidade. VEJA destacou os principais itens a ser observados por quem compra ou reforma um imóvel.

NA ENTRADA

Desnível: é preciso pensar em todo o percurso. da calçada à porta da casa. Se houver degraus no trajeto, calcule se há espaço para substituí-los por rampa. A fórmula é simples: multiplique por 12 a altura total do desnível. Ou seja, um degrau de 10 centímetros vira uma rampa de 1,20 metro de comprimento. Outra solução é a instalação de uma plataforma vertical eletromecânica medindo 90 centímetros por 1,30 metro.

Elevador: de nada adianta o apartamento ter as medidas necessárias se o morador com necessidades especiais não puder chegar até ele pelo elevador. Seu interior deve comportar um retângulo de 80 centímetros por 1,20 metro (a dimensão de uma cadeira de rodas com uma pessoa sentada) e a porta precisa ter largura mínima de 80 centímetros.

Áreas comuns nos condomínios. O acesso às áreas comuns, como garagem e salão de festas, exige portas com largura de pelo menos 80 centímetros.

Portas e corredores: no interior da residência, as portas, devem ter largura mínima de 80 centímentros, e os corredores, de 90 centímetros. A manobra para transpor as portas que saem no meio de um corredor exige um espaço maior - corredor mais largo ou porta mais larga.

Espaços: cozinhas quadradas são mais amigáveis para cadeirantes, uma vez que o espaço deve permitir o giro da cadeira - 1,20 por 1,50 metro - ter 80 centímetros de passagem de uma cadeira de rodas para a pia, o fogão e a geladeira.

Espaços: os banheiros minúsculos são um problema para cadeirantes que necessitam de um espaço de 1,20 por 1,50 metro para a rotação de 180 graus (lembre que a cadeira pode fazer a volta sob a pia, desde que não haja armário debaixo dela). É importante também calcular um espaço de 80 centímetros por 1,20 metro para o acesso à pia, ao vaso sanitário e ao boxe. Se não houver espaço suficiente no momento da compra do imóvel, deve existir, ao menos, a possibilidade de ampliara área de um dos banheiros da casa.

Boxe: o desnível nessa área deve ser de no máximo, 1,5 centímetro, e com acabamento chanfrado.

O boxe de vidro pode ser uma armadilha fatal –e, em caso de queda ou desmaio do morador, o modelo de porta que abre pra dentro pode impossibilitar o resgate sem a ajuda dos bombeiros, já que a pessoa caída bloqueia a porta. Portanto, o ideal é optar pela cortina.

Pisos: porcelanatos se pedras (como mármore e granito) polidos tornam o piso escorregadio quando molhado - um perigo para todos e particularmente para os idosos. Pisos não polidos nas áreas molhadas e de madeira ou laminado nas salas e quartos previnem quedas.

 

Desnível: uma elevação de até 1,5 centímetros entre ambientes pode ser minimizada com um chanfro. Se a diferença for maior, será preciso uma rampa para a cadeira de rodas - a fórmula para calcular o comprimento da rampa. caso seja necessário instalá-la, é: altura do desnível por 12.

Janela: o conforto psicológico proporcionado pela moradia também é importante no desenho universal. Janelas baixas - com parapeito a uma altura máxima de 60 centímetros do piso - permitem a cadeirantes e idosos, que passam boa parte do dia sentados, apreciar a vista de forma independente e confortável.

Tomadas e interruptores:para que cadeirantes e crianças acionem os interruptores sem esforço, o ideal é instalá-los a uma altura de 1 metro. O mesmo vale oara os registros de água. Já as tomadas devem ficar a, no mínimo, 40 centímetros do solo, para que idosos, mais sujeitos a sofrer os sintomas de labirintite, possam acessá-las sem dificuldade.

Acessórios que facilitam a rotina

A casa adaptada conta com acessórios que vão além da rampa de acesso e das barras de apoio no banheiro. "Nos locais públicos, esses acessórios seguem uma norma. Nas residências, porém, eles devem se adequar ao perfil do morador", explica a arquiteta Sandra Perito, presidente do Instituto Brasil Acessível.

A seguir, acessórios que podem trazer segurança e independência a idosos, deficientes físicos e pessoas com limitação temporária de mobilidade, provocada por cirurgias ou acidentes, por exemplo.

Maçanetas de alavanca: para mãos que sofrem com artrose, maçanetas redondas podem se transformar em obstáculos diários. Os modelos de alavanca - sem quinas retas, que poderiam machucar em caso de esbarrão - poupam esse esforço desnecessário.

Torneiras monocomando: de manuseio simples,devem ser longas e fixadas na pia ou no lavatório (e não na parede), o que facilita o alcance.

Gavetas: na cozinha, os gavetões permitem que os utensílios venham até o morador - e não o contrário, como é o caso dos armários de prateleiras. Para os puxadores, prefira os modelos em alça.

Sensores de presença: em trajetos de circulação noturna ou corredores e escadas onde não há janelas, a luz acionada pelo sensor de presença pode evitar tropeções e quedas.

Sensores de gás e de fumaça: como idosos podem sofrer redução ou perda total do olfato, o alarme sonoro avisa em caso de vazamento de gás ou princípio de incêndio.

Varal elétrico: acionado por controle remoto, o equipamento dispensa o uso de força e oferece autonomia a cadeirantes e idosos na hora de pendurar roupas no varal de teto.

Tábua de passar roupa: embutida, a tábua não tem pés de apoio, por isso não exige força para ser montada e desmontada. A ausência de pés facilita o uso por cadeirantes.

Luminária de emergência: ligada na tomada, a pequena luminária se acende automaticamente quando falta energia na casa e evita que o idoso circule no escuro em busca de velas ou lanterna.

Automação residencial: reúne os comandos de luzes, persianas, ar-condicionado e televisão em um único controle remoto de manuseio intuitivo.

 

Sobe e desce sem esforço

Quando não há espaço para instalar uma rampa que substitua os degraus, o mercado oferece opções - ainda que caras - para garantir a acessibilidade. O arquiteto Eduardo Ronchetti, da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, explica quais são os modelos de elevador residencial que facilitam a vida de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Cadeira para escadas: embora não seja indicado para cadeirantes, o equipamento pode ajudar pessoas que enfrentam dificuldade para subir e descer escadas. A cadeirinha, nesse caso, corre por um trilho, e funciona tanto em escadas lineares como curvas. 
Preço médio: 20.000 reais

Plataforma vertical: para alturas de até 4 metros - o equivalente a, no máximo, um andar -, os arquitetos recomendam a plataforma vertical eletromecânica. A base sobe e desce movida por sistema hidráulico ou mecânico deve ter área mínima de 90 centímetros por 1,30 metro. Para alturas entre 4 e 9 metros, a plataforma deve ser enclausurada, ou seja, fechada por paredes, que podem ser de alvenaria, drywall ou vidro.
Preço médio: 30.000 reais por andar (sem as paredes)

Elevador em residências com mais de dois andares - ou seja, alturas superiores a 9 metros -, o alto custo da obra encarece muito a instalação da plataforma vertical. Nesse caso, aspectos econômicos e de segurança fazem dos elevadores convencionais a melhor opção.
Preço médio: a partir de 50.000 reais (três andares)

 

DANIELA MACEDO 
daniela.macedo@abril.com.br
Artigo publicado na revista Veja de 24/04/2013.

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